Economia

OS DESAFIOS PARA OS EXPORTADORES DE FRANGO BRASILEIROS

O Brasil teve um crescimento fantástico nas exportações nos ultimos anos. O que aconteceu e o que se esperar do futuro?

O Brasil teve um crescimento fantástico nas exportações – de 916.000 MT em 2000 para 3,8 milhões MT em 2010 – um crescimento de 317% e muitas industrias esperavam que isto continuasse. No entanto, na última década o crescimento foi de apenas 6% no total. O que aconteceu e o que se esperar do futuro? Projeções de 10 anos são frequentemente feitas, porém aparentemente com pouco fundamento por trás destas projeções.

Para melhor entender os dados, e não olhar apenas para os números das exportações, é preciso quebrar estes dados em quatro segmentos: Inteiro, Partes, Salgados e Cozidos. O histórico de cada um dos segmentos é significativamente diferente assim como são os fatores que os afetam.

Em 2000, a exportação de Frango inteiro era um pouco maior que a de partes; os produtos cozidos estavam apenas começando e a exportação de salgados não tinha começado ainda.

Em 2005, o Mercado de partes quadruplicou, enquanto o segmento de Frango inteiro dobrou. O surgimento de gripe aviária em grande escala na Ásia, contribuiu grandemente para isto, já que ambos, Tailândia e China foram eliminadas do Mercado de carnes in natura literalmente da noite para dia no início de 2004.

Desde que chegou ao seu pico em 2010, a exportação de frangos inteiros caiu 26%, na sua maioria por que a Arábia Saudita decidiu aumentar sua produção doméstica e pela grande dificuldade econômica e política da Venezuela. No entanto, a exportação de partes continuou a crescer a uma média saudável de 4% ao ano e bate novos recordes quase todo ano, na grande maioria pelo aumento de exportação para a China.

Ambos os segmentos de salgados e cozidos caíram dramaticamente nos últimos dois anos devido à Salmonela e a operação “Carne Fraca”.

Os detalhes sobre os mercados japonês e Europeu são os seguintes:

JAPÃO

Em 2001, China e Tailândia exportavam 360.000 MT, enquanto que Brasil apenas 109.000MT. Em 2002 e 2003, China começou a ter problemas com resíduos e perdeu Mercado. Mais tarde, em janeiro de 2004, a gripe aviária foi declarada na Tailândia e toda exportação de carne in natura foi banida. Em 2005 o Brasil exportou 378.000 MT, uma fatia de Mercado de 93%. Houve uma pequena quantia de importação dos EUA mas só de produtos com osso.

Esta situação “exclusiva” continuou até 2014, quando a Tailândia pôde voltar a fornecer para o Japão. Surpreendentemente os volumes do Brasil não caíram, apesar da fatia de Mercado ter sido reduzida a 75%. Este período coincidiu com o aumento do consumo de frango no Japão, uma vez que a carne bovina se tornou muito cara e problemas com qualidade surgiram para o peixe. No entanto, os preços tailandeses tem sido consistentemente maiores que os do Brasil, e com questões de qualidade sendo frequentemente alegadas pelos importadores japoneses.

Tailândia e China aumentaram rapidamente suas instalações para produtos cozidos em 2005 e em cinco anos puderam substituir as carnes in natura pelos produtos cozidos. China teve duas questões importantes de segurança em 2008 e em 2014 perdendo 20% da fatia de Mercado, mas o Brasil não conseguiu absorver esta fatia, já que foi toda absorvida pela Tailândia. Há dois fatores principais para isto: disponibilidade e custo de pessoal, além de logística com tempos longos de transporte. Partes da China ficam a apenas 48 horas do Japão e a Tailândia tem transtime de apenas uma semana.

Esperamos que o Brasil mantenha sua dominância no Mercado Japonês para o segmento de Importação de carne in natura, já que a Gripe Aviária ainda está se alastrando e o Japão não vai aumentar seus riscos em sua cadeia de suprimentos. Dificilmente o Brasil irá aumentar sua participação no Mercado de processados.

UNIÃO EUROPEIA

O passado recente tem sido dominado por questões como Salmonela e a “Operação Carne Fraca”, problemas dos países fora da Europa, e o crescimento explosivo da indústria Polonesa dentro da União Europeia e os benefícios dados à Ucrânia por razões políticas.

A União Europeia nunca foi um Mercado forte para a importação de Frango inteiro. O Mercado de partes cresceu rapidamente de 80.000 MT em 2000 para 375.000 MT em 2008, e similarmente o segmento de cozidos cresceu de 50.000 MT para 350.000 MT no seu pico. Mas na década atual, não houve crescimento de importação e nos últimos 12 meses o preço da carne de peito caiu significativamente.

O Brasil se aproveita de uma posição dominante depois da gripe aviária na Tailândia, já que a mesma estava banida de janeiro 2004 até meados de 2012. Não apenas O Brasil atingiu sua cota anual de produtos salgados ( 180.000 MT ), como também exportou mais de 100.000 MT de suas cotas de produtos não salgados até que a Tailândia retornou para o Mercado em 2012.

A partir de 2016, suas exportações primeiramente foram reduzidas devido a problemas com Salmonella e isto foi agravado mais tarde pela suspensão e posterior retirada da lista de importadores da empresa BRF pelo escândalo de corrupção chamada de “Carne Fraca”.

O futuro das importações da União Europeia é um tanto incerto. Um acordo recente entre Mercosul e União Europeia dá ao Brasil e Argentina uma cota maior, mesmo que a habilidade (ou a opção) de conseguir atingir a cota seja duvidável. Outra incerteza, é de quais serão as definições de cotas depois do período de transição de um ano pós-Brexit. Atualmente a Inglaterra consome 70% de produtos cozidos enquanto que a Europa Continental consome a maioria dos produtos in natura

OUTROS MERCADOS IMPORTANTES PARA EXPORTAÇÃO DE PARTES

CHINA E HONG KONG

O blog anterior tratou destes dois mercados em detalhes. Desde então, mais plantas foram aprovadas. No entanto, é provável que estas plantas já exportassem para Hong Kong – então o aumento no volume para a China será parcialmente compensado por uma diminuição do volume para Hong Kong.

ARÁBIA SAUDITA

Do mesmo modo que o Frango inteiro, as exportações de partes para a Arábia Saudita têm despencado, principalmente filé de peito, caindo mais de 10% desde 2013. É improvável sua recuperação em um futuro próximo.

EMIRADOS ÁRABES

A exportação de partes, principalmente filé de peito, cresceram mais de 50.000 MT desde 2013 e isto manteve positivas as exportações para Os Emirados.

ÁFRICA DO SUL

Exportações quase dobraram nos últimos 5 anos, mas em 2019 houve uma redução uma vez que a União Europeia e os EUA fizeram pressão política e ameaçaram impor sansões a menos que a África do Sul aumentassem sua participação. O principal produto que o Brasil exporta é o CMS de baixo preço, por vezes abaixo de U$ 500 MT incluindo o frete. Os produtores locais na África do Sul acabaram de pedir ao seu governo que aumentem os  níveis de proteção. Grandes produtores diminuíram significativamente suas produções nos últimos anos. Se o Brasil puder manter os níveis de 2019 para África do Sul, isto será considerado um sucesso.

COREIA DO SUL

O aumento de 120% de 2013 para 2018, e mais 10% em 2019 consolidaram a Coreia do Sul como um Mercado importante e está agora entre os 7 maiores clientes do Brasil. É importante também como um Mercado alternativo ao Japão para perna desossada, ajudando a destravar os preços deste produto para a Ásia. Com a presença da Gripe Suína lá, espera-se que haja crescimentos futuros.

MÉXICO

Com a erupção da gripe aviária nos EUA, aliado às questões políticas e de comércio exterior dos EUA, o México subiu de literalmente zero em 2013 para mais de 100.000 MT em 2018 e novamente em 2019. Isto é aproximadamente 30% do Mercado no segmento de congelados importados. Mais de 70% das exportações americanas para o México são resfriadas e isto será difícil para o Brasil repor, a menos que questões politicas ocorram. No próximo blog, iremos analisar o “segundo bloco” de importadores, que levaram menos de 100.000 MT em 2018, apesar de que alguns, como a Rússia, levaram muito mais no passado.

Autor
Gordon Butland

Gordon Butland é o atual diretor da G&S Agriconsultant CO. Atuou no mercado bancário desde 1986 e começou sua parceria com o Rabobank International em 1989. Saiu do mercado financeiro em 2004 e agora é consultor de diversas empresas da cadeia de avicultura em todo o mundo. Seu trabalho foca tanto na parte estratégica quanto na análise de dados.


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