Economia

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA CHINA?

Para compreender melhor o que está acontecendo na China, devemos analisar o ontem, o hoje e o amanhã para identificar os dados chave que deverão ser monitorados para facilitar a tomada de decisões.

CHINA

Para compreender melhor o que está acontecendo na China, devemos analisar o ontem, o hoje e o amanhã para identificar os dados chave que deverão ser monitorados para facilitar a tomada de decisões.

Ontem

O primeiro surto anunciado de Peste Suina Africada (ASF em inglês) na China aconteceu em agosto de 2018, mas o preço dos animais vivos já começou a aumentar um mês antes.]

Houve um pico em dezembro 2018 e havia uma grande diferença conforme a região. Isto foi provavelmente uma consequência de “compra de pânico”. Os preços voltaram ao normal em Fevereiro devido a matança de matrizes, pois os produtores estavam receosos que não iriam receber nada se seu plantel tivesse a doença.

Antes do início do ASF havia 44 milhões de matrizes na China e o último dado oficial da semana passada indica que a perda de matrizes é de 31%. Isto vai representar uma perda de carne de suíno de 13 milhões de toneladas métricas nos próximos 12 meses. Algumas previsões chegam a prever uma perda de até 60% do plantel.


Hoje

Em março houve um aumentou de 25% nos preços e agora em agosto houve um outro aumento significativo. O preço agora comparado com Agosto de 2018 é 100% maior.

As importações, apesar de ter tido um aumento de volume acima de 20% em 2019, estão contribuindo muito pouco para compensar esta perda. Aparentemente China não está tendo pressa em aprovar novas plantas para exportar, nem no Brasil, nem na Tailândia. Recentemente a China aprovou 23 plantas da Rússia mas até agora foi importado muito pouco de lá.

Os preços da carne de frango exportado para China melhoraram em 2019 mas em níveis bem abaixo dos preços da carne suína no mercado doméstico dentro da China. Também, os preços dos pintainhos chegaram a US$ 1.2 por unidade, muito acima do nível normal.

O governo está ajudando produtores para produzir mais, mas muitos não estão repondo animais que morreram. O governo já introduziu racionamento em alguns lugares. Em Nanning por exemplo, só podem comprar 1 kilo por dia. Estas noticiais confirmam que o problema está finalmente sendo reconhecido!

Amanhã

Devemos separar o futuro em curto prazo (até 2021) e o longo prazo (após 2022).

Para o curto prazo, as companhias que tem plantas aprovadas (de qualquer espécie) para China vão continuar a ter uma procura aquecida e as vezes as companhias terão que decidir entre vender produtos com ossos para China ou produtos sem ossos para Japão ou Korea. As vezes estas companhias precisarão escolher entre benefícios de curto prazo e uma estratégia sustentável a longo prazo.

Existe também a situação entre EUA e China, mas devido ao tamanho do déficit, Brasil não deverá ser afetado se os dois países resolverem suas diferenças comerciais em um futuro próximo.

Os efeitos a longo prazo ainda são difíceis de prever. Não sabemos o tamanho e a localização real de matrizes e a localização das perdas. O maior número de perdas de matrizes vai aumentar o prazo de recuperação. É provável que muitos produtores pequenos não voltarão mais para a atividade. Em 2003 mais que 70% das granjas tinham menos que 50 animais mas até 2022, este número caiará para 2%. Por outro lado, a maior parte da produção será feita em grandes complexos com muito maior eficiência.

Atualmente a relação entre o número de animais abatidos anualmente e o número de matrizes é só 15 na China, enquanto operações eficientes no Brasil são acima de 27 animais. Certamente a indústria Chinesa no futuro será mais eficiente que hoje.

O outro fator que está difícil prever é o consumo futuro de carne suína. As previsões atuais são de uma diminuição de cerca de 15%, ou seja 8 milhões de toneladas. Não é certo se esta redução vai ser permanente.

Conclusões

Companhias, tanto de frangos, tanto de suínos, que tem plantas aprovadas para China, terão excelentes resultados para os próximos dois anos pelo menos. Aquelas que não tem plantas aprovadas vão se beneficiar de outros mercados, incluindo o mercado doméstico.

Com o prazo da recuperação na China incerto, não seria prudente investir em novas plantas dependendo somente do mercado Chinês.

Os exportadores brasileiros de carne bovina, suína e frango já estão com uma dependência alta dos mercados de Hong Kong e China e deverão avaliar os riscos desta situação.

Autor
Gordon Butland

Gordon Butland é o atual diretor da G&S Agriconsultant CO. Atuou no mercado bancário desde 1986 e começou sua parceria com o Rabobank International em 1989. Saiu do mercado financeiro em 2004 e agora é consultor de diversas empresas da cadeia de avicultura em todo o mundo. Seu trabalho foca tanto na parte estratégica quanto na análise de dados.


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