Economia

FRANGO NO MUNDO HOJE

No primeiro semestre de 2019 o que se viu foi uma recuperação da Avicultura na maioria dos países exportadores. Confira as novidades

No primeiro semestre de 2019 o que se viu foi uma recuperação da Avicultura na maioria dos países exportadores. Brasil e Tailândia devem grande parte de sua recuperação à China, resultado da Peste Suína Africana (PSA) lá. Os quatro exportadores serão analisados abaixo.

BRASIL

Tabela 1 – Exportação Brasileira de Janeiro a Junho

TM 000201720182019
Inteiros626486561
Partes1,2981,2321,348
Salgado773865
Cozido1206753
Total2,1211,8232,027

A quantidade de frango inteiro diminuiu 10% em 2017, basicamente devido ao Egito e à Arábia Saudita. O Egito é sempre imprevisível uma vez que depende de liberar Licenças de Importação e estas são concedidas quando a escassez começa a aparecer e os preços sobem. A redução das importações na Arábia Saudita é um resultado de sua política para se tornar mais autossuficiente na produção de frango de corte. Isto resultou numa redução de mais de 200.000 tons por ano nos últimos 5 anos.

Os outros países de Oriente Médio demonstraram crescimento estável, com exceção do Iraque, onde a Turquia tem uma fatia dominante do Mercado (pelo menos enquanto a fronteira estiver aberta).

Mais de 80% da exportação de partes vai para 13 países, de 77% em 2013. Houve um crescimento saudável de 5.5% por ano nas exportações de partes entre 2013 a 2018, basicamente devido a três países: China/Hong Kong, África do Sul e México.

Mesmo antes do surgimento da Peste Suína Africana (PSA) em Agosto do ano passado, o Brasil já era o parceiro dominante para a China com 82% de participação de mercado. Como resultado da Peste Suína Africana, as exportações mensais cresceram significativamente como detalha a tabela abaixo:

Tabela 2 – Exportação do Brasil para a China – mensal

Em TM20182019
Jan34,46244,909
Fev35,29553,111
Março40,93758,651
Abril32,59556,803
Maio36,96572,328
Junho26,98364,457
Total207,418350,259

Sem a China, as exportações brasileiras teriam reduzido no primeiro semestre.

Como esperado, o mix de produtos para a China mudou. Historicamente, Pés e Meio de Asa eram a maioria das importações. Agora, perna com osso é o principal produto.

As consequências de longo prazo da Peste Suína Africana (PSA) ainda não estão totalmente claras. As expectativas de perdas com carne suína são de 11 a 16 milhões de toneladas métricas – uma alta dose de incertezas. No entanto, mesmo com a diminuição de 20% na quantidade de abate, isto é equivalente a toda produção anual dos USA.

Ou seja, os volumes importados do Brasil continuarão altos, mesmo com a China olhando fontes alternativas como Rússia e Ucrânia. Rússia espera exportar 1.000 tons este ano e incrementar para 30.000 tons em 2022.

Podemos esperar um alto grau de volatilidade de preços e isto é bem comum na China, ao longo de toda a cadeia de valor. Há pouco tempo, os preços dos pintainhos de um dia estavam em uma alta histórica e agora caíram para níveis bem abaixo do custo. Preços para importação de perna com osso caíram em US$ 500 por tonelada em apenas algumas semanas.

Brasil deve assegurar que segue todas as regulamentações chinesas. Recentemente, uma companhia tailandesa foi suspensa da lista de fornecedores aprovados uma vez que a documentação sanitária não estava de acordo com o container. Também, um inspetor do governo tailandês foi banido pelas autoridades chinesas de assinar qualquer documentação de exportação para a China. Isto demonstra que as autoridades chinesas estão levando muito a sério a biossegurança.

África do Sul é um Mercado chave, especialmente para o MDM do Brasil (e Tailândia). Para as operações brasileiras que produzem cortes e produtos sem osso, por volta de 15% de MDM é gerado e para estas empresas que não produzem salsichas, ou produção similar, exportações para África do Sul são indispensáveis.

México subiu para o 8º maior cliente de cortes de frango do Brasil e levou 110.000 tons em produtos em 2018. Os USA são os maiores fornecedores com 689.000 toneladas métricas das quais 525.000 são produtos resfriados as quais serão difíceis para o Brasil substituir. Desde abril de 2019, as exportações para o México caíram significativamente. Mas elas voltaram a crescer agora que novas quotas foram publicadas.

Agora vamos olhar para os nossos competidores. Os três maiores competidores são Tailândia, USA e União Europeia. Outros países que são competidores em outras partes do globo são Turquia e Ucrânia, com Ucrânia se tornando um problema na Europa.

Tailândia foi banida do Mercado Europeu para carne in natura de 2004 a 2011 e do Japão até 2014. Então, nestes mercados, os tailandeses estão recuperando participação de mercado. Na União Europeia, o Brasil tem cotas de 180.000 tons para produtos salgados, enquanto que a Tailândia tem 90.000.  Para produtos cozidos, os tailandeses têm cota de 180.000tons e o Brasil de 80.000.

Na tabela 1, vemos que o Brasil tem estado consistentemente abaixo de sua média mensal de 15.000, devido à questão da Carne Fraca. Neste ano, as importações têm começado a se recuperar. Tailândia também teve problemas com Salmonella, os quais foram resolvidos e agora está perto de atingir sua meta mensal.

Para produtos cozidos, Tailândia excedeu sua cota significativamente, com compradores pagando tarifas mais altas.

Como mostra a tabela 1, as exportações brasileiras tem pouco produto cozido.

No Japão, a Tailândia recuperou de 20% a 25% da participação de mercado no segmento de carnes in natura. No início, o Brasil não sofreu nenhuma perda de volume, uma vez que as importações totais do Japão aumentaram. Em 2018, as exportações do Brasil para o Japão caíram em 47.000 tons, mas ainda foram 10.000 tons acima dos níveis de 2013, enquanto que a Tailândia chegou a 139.000 tons.

O Brasil não compete no segmento de Mercado de cozidos no Japão, que tem um tamanho similar ao do segmento in natura. Tailândia divide o Mercado com a China.

A Tailândia está agora exportando regularmente mais de 6.000tons mês para a China, com um mix de produtos parecido ao do Brasil. Tailândia só tem 7 plantas aprovadas para a China, apesar que outras 7 são esperadas em breve.

Os Estados Unidos ainda não conseguiram se recuperar para níveis pré-gripe aviária de 3.7milhões de tons. Em 2018 a falta foi de 250.000 tons e em 2019, o crescimento foi apenas de 1%. Os EUA ainda não estão de volta à China, mas as exportações para Hong Kong compensam parcialmente.

A União Europeia aumentou suas exportações de 2014 a 2018 em 22%, de 1.16 milhões de tons para 1.42 milhões tons. Houve grande aumento para os países africanos e em Gana a União Europeia é o exportador número 1. Polônia teve o maior crescimento dos países da UE como mostra a tabela abaixo

Tabela 3 – Exportações da União Européia e Polônia

TM 000UE (TOTAL)Polônia
20141,164125
20151,188155
20161,323213
20171,319260
20181,421335
TOTAL6,4251,088

Nota: Estes números são apenas exportações fora da UE.

CONCLUSÕES:

Isto é parte do que está acontecendo pelo mundo. O rápido aumento na produção livre de antibióticos, um crescimento mais rápido do que o esperado de carne vegana e as consequências da Peste Suína Africana (PSA) são os 3 principais fatores que estão mudando o cenário consumidor e todos devem ser monitorados de perto.

Autor
Gordon Butland

Gordon Butland é o atual diretor da G&S Agriconsultant CO. Atuou no mercado bancário desde 1986 e começou sua parceria com o Rabobank International em 1989. Saiu do mercado financeiro em 2004 e agora é consultor de diversas empresas da cadeia de avicultura em todo o mundo. Seu trabalho foca tanto na parte estratégica quanto na análise de dados.


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